18 junho 2017

PEQUENAS MUDANÇAS



Abriu os olhos de novo,
Jurou já tivesse morrido.
Haviam lhe amarrado pés e mãos,
E ele ficara quase dependurado
No tronco daquela centenária figueira.

O corpo todo marcado,
Hematomas e cortes.
Dois homens fizeram o “trabalho”.
Muitos o viam espancado
Como se não o vissem mesmo assim.
Falavam em uma língua estranha a ele.
A pele era branca, a alma nem tanto!

Resistiu muitas horas,
Mas algum órgão dentro dele fora destruído.
Antes de morrer viu um anjo à imagem do pai.
Pai que morrera da mesma forma:
Assassinado.

O anjo beijou-lhe uma das orelhas sangrentas,
E ele pôde finalmente entender o que diziam
Aqueles homens tão brancos,
A alma nem tanto!

E toda sua história fez sentido...
Apenas aos que liam as palavras do poema:
̶  Vivemos cá no Brasil, no ano de 1820
De Nosso Senhor Jesus Cristo,
Porém essas criaturas em nada conseguem evoluir!


                                                                           Maurício Palmeira

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2 comentários:

  1. Muito bom Professor, excelente poesia

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  2. Obrigado, Washington. Mas, se me lembro bem, você fazia poesias admiráveis!

    Espero que ainda mantenha esse lado poético contigo.

    Um abraço!

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