12 abril 2016

MANOEL DE BARROS - POESIA II
























A poesia está guardada nas palavras — é tudo que 
eu sei. 
Meu fado é o de não saber quase tudo. 
Sobre o nada eu tenho profundidades. 
Não tenho conexões com a realidade. 
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro. 
Para mim poderoso é aquele que descobre as
insignificâncias (do mundo e as nossas). 
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil. 
Fiquei emocionado e chorei. 
Sou fraco para elogios.

MANOEL DE BARROS - POESIA




Não é por me gavar 
mas eu não tenho esplendor. 
Sou referente pra ferrugem
 mais do que referente pra fulgor. 
Trabalho arduamente para fazer o que é desnecessário. 
O que presta não tem confirmação, 
o que não presta, tem. 
Não serei mais um pobre-diabo que sofre de nobrezas. 
Só as coisas rasteiras me celestam. 
Eu tenho cacoete pra vadio. 
As violetas me imensam.