23 junho 2016

ELEFANTA, ELEFANTA, ELEFANTA



A flexão de gênero da palavra ELEFANTE, ao menos a mais indicada, dever ser ELEFANTA.

Aos que já ouviram falar da palavra “ALIÁ”, talvez valha o que segue:

Embora a maior parte dos dicionários brasileiros registrem também a palavra “aliá”, verbete este de origem oriental (cingalesa) e que só não caiu em completo esquecimento devido à insistência desses mesmos dicionários em mantê-la viva, com a ajuda de certos professores e redatores de palavras cruzadas.

"Os portugueses, que já conheciam na Índia o animal com presas e lhe davam o nome europeu com o seu gênero próprio, ouvindo que os indígenas (no Ceilão) chamavam comumente aliya ao seu paquiderme (este normalmente sem presas), entenderam que tal era a denominação específica de todo elefante sem presas, quer seja macho quer fêmea`...»

Fontes indicam que a palavra ELEFANTE está atestada desde o século XIV, ALIÁ, desde princípios do século XVII, e ELEFANTA, desde 1844.
Estas datações parecem confirmar ALIÁ como palavra mais antiga que elefanta, apesar de a primeira ter uso muito restrito ou nulo na atualidade.

Na vida real, faz tempo que ninguém chama elefanta de aliá. A maioria dos lexicógrafos de Portugal nem registra o termo.

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10 junho 2016

FÁBULAS FABULOSAS


                            Cão! Cão! Cão!


    Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou apenas que ele, amigo, viesse acompanhado de um cão. O cão não muito grande mas bastante forte, de raça indefinida, saltitante e com um ar alegremente agressivo. Abriu a porta e cumprimentou o amigo, com toda efusão. "Quanto tempo!". O cão aproveitou as saudações, se embarafustou casa adentro e logo o barulho na cozinha demonstrava que ele tinha quebrado alguma coisa.

    O dono da casa encompridou um pouco as orelhas, o amigo visitante fez um ar de que a coisa não era com ele. "Ora, veja você, a última vez que nos vimos foi..." "Não, foi depois, na..." "E você, casou também?" O cão passou pela sala, o tempo passou pela conversa, o cão entrou pelo quarto e novo barulho de coisa quebrada. Houve um sorriso amarelo por parte do dono da casa, mas perfeita indiferença por parte do visitante. "Quem morreu definitivamente foi o tio... você se lembra dele?" "Lembro, ora, era o que mais... não?"
    O cão saltou sobre um móvel, derrubou o abajur, logo trepou com as patas sujas no sofá (o tempo passando) e deixou lá as marcas digitais de sua animalidade. Os dois amigos, tensos, agora preferiam não tomar conhecimento do dogue. E, por fim, o visitante se foi. Se despediu, efusivo como chegara, e se foi. Se foi.
    Mas ainda ia indo, quando o dono da casa perguntou: "Não vai levar o seu cão?" "Cão? Cão? Cão? Ah, não! Não é meu, não. Quando eu entrei, ele entrou naturalmente comigo e eu pensei que fosse seu. Não é seu, não?"

  Moral: Quando notamos certos defeitos nos amigos, devemos sempre ter uma conversa esclarecedora.



                                                                     (Milôr Fernandes)

09 junho 2016

EXERCÍCIOS - FUNÇÕES DA LINGUAGEM

01. Assinale a alternativa em que a função apelativa da linguagem é a que prevalece:
A) Trago no meu peito um sentimento de solidão sem fim... sem fim...
B) “Não discuto com o destino o que pintar eu assino.”
C) Machado de Assis é um dos maiores escritores brasileiros.
D) Conheça você também a obra desse grande mestre.
E) Semântica é o estudo da significação das palavras.
02. Identifique a frase em que a função predominante da linguagem é a REFERENCIAL:
A) Dona Casemira vivia sozinha com seu cachorrinho.
B) Vem, Dudu!
C) Pobre Dona Casemira...
D) O que ... O que foi que você disse?
E) Um cachorro falando?
03. A função metalinguística predomina em todos os fragmentos, exceto em:
A) “Amo-te como um bicho simplesmente de um amor sem mistério e sem virtude com um desejo maciço e permanente.” (Vinicius de Morais)
B) “Proponho-me a que não seja complexo o que escreverei, embora obrigada a usar as palavras que vos sustentam.” (Clarice Lispector)
C) “Não narro mais pelo prazer de saber. Narro pelo gosto de narrar, sopro palavras e mais palavras, componho frases e mais frases.” (Silviano Santiago)
D) “Agarro o azul do poema pelo fio mais delgado de lã de seu discurso e vou traçando as linhas do relâmpago no vidro opaco da janela.” (Gilberto Mendonça Teles)
E) Que é Poesia? Uma ilha cercada de palavras por todos os lados.” (Cassiano Ricardo)
04. O texto seguinte também é de natureza poética. Nele, qual a função secundária da linguagem?
“Lutar com as palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.” (Carlos Drummond de Andrade)

A) Função emotiva.
B) Função conativa.
C) Função referencial.
D) Função metalinguística.
E) Função fática.
05. “Se eu não vejo a mulher que eu mais desejo, Nada que eu veja vale o que eu não vejo.”
 Nesses versos do poeta provençal Bernart de Ventadorn (século XII), vertidos para o português pelo poeta Augusto de Campos, é evidente o predomínio da função poética da linguagem, notável nos ritmos, nos jogos sonoros e no fraseado. Ao lado dessa função, destaca-se a presença da:
A) função emotiva.
B) função conativa.
C) função referencial.
D) função metalinguística.
E) função fática.
06.                                  BILHETE
Se tu me amas,                                     Se me queres,                                   ama-me baixinho                                   enfim,
Não o grites de cima dos telhados        tem de ser bem devagarinho, Amada,
Deixa em paz os passarinhos               que a vida é breve,
Deixa em paz a mim!                            e o amor mais breve ainda... (Mário Quintana)

Além da função poética, outra função que se percebe no poema é:
A) função emotiva.
B) função conativa.
C) função referencial.
D) função metalinguística.
E) função fática.
07.  A biosfera, que reúne todos os ambientes onde se desenvolvem os seres vivos, se divide em unidades menores chamadas ecossistemas, que podem ser uma floresta, um deserto e até um lago. Um ecossistema tem múltiplos mecanismos que regulam o número de organismos dentro dele, controlando sua reprodução, crescimento e migrações. DUARTE, M. O guia dos curiosos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.   

Predomina no texto a função da linguagem:
A) emotiva, porque o autor expressa seu sentimento em relação à ecologia. B) fática, porque o texto testa o funcionamento do canal de comunicação.
C) poética, porque o texto chama a atenção para os recursos de linguagem. 
D) conativa, porque o texto procura orientar comportamentos do leitor. 
E) referencial, porque o texto trata de noções e informações conceituais.























































































08. Considerando a tirinha, pode-se concluir que, nela, está presente a função da linguagem denominada:
A. fática, pois vários termos, embora desprovidos de significado, permitem o início do processo comunicativo.
B. metalinguística, pois se reflete sobre o valor das palavras, isto é, sobre o uso da língua e sua função social.
C. apelativa, pois está ausente a intenção de atingir o receptor com o intuito de modificar o seu comportamento.
D. emotiva, pois o eu lírico pode expressar livremente as emoções com as quais está em conflito.
E. poética, pois o importante é passar as informações de forma clara e objetiva, desprezando-se a preocupação com a elaboração da linguagem.

GABARITO: 1D - 2A - 3A - 4D - 5A - 6B - 7E - 8B